QUAIS OS FUNDAMENTOS DA NOSSA ASSOCIAÇÃO?

 

O CHI tem como fundamentos o resultado de uma pesquisa de longos anos feita por Lucília Barata, um dos membros fundadores do CHI.

Essa pesquisa veio dar continuidade a uma pesquisa já iniciada, em Portugal, pelos Mestres Almada Negreiros e Lima de Freitas, na área de uma ciência aparentemente esquecida, que forneceu as bases estruturais a várias civilizações do passado.

Para Almada Negreiros tudo começou com os painéis de S. Vicente de Fora, atribuídos a Nuno Gonçalves, e com a decisão de, por eles, ir ao encontro do Cânone.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


                                                                               Políptico de S. Vicente de Fora

 

«Ir ao encontro de um cânone» – disse Almada numa entrevista publicada no Diário de Notícias em 1960- «eis a razão fundamental de todo o meu trabalho». Lima de Freitas escreveria mais tarde: «O que Almada fez foi abrir os olhos dos interessados para o facto de que os painéis chamados de Nuno Gonçalves, sendo profundamente portugueses, se integravam também numa tradição europeia e universal de maravilhosa sabedoria e antiguidade, tradição que forneceu fundamentos canónicos à grande arte sagrada de múltiplas civilizações». E não apenas à Arte, mas também à Ciência e à Religião.

 

 


Almada Negreiros não chegou a concretizar o seu sonho. Perdeu-se num labirinto de traçados confusos, sem nunca ter chegado ao âmago daquilo que procurava – o cânone sagrado de cosmologia que pode explicar as leis que presidem a todos os fenómenos universais, incluindo a Arte.

                 Pormenor do painel “Começar” (Almada Negreiros)

 

 

                 Pormenor do painel “Começar” (Almada Negreiros)

 

Por sua vez, Lima de Freitas, seguindo as pisadas de Almada, fez também uma incursão pela geometria simbólica, com a profunda convicção de ser o cânone a chave que abre todos os mistérios. Mas, também ele, não chegou a realizar totalmente o seu sonho. Ou seja, não encontrou essa chave.

                         

 


                                                                                                                                                                                Farol de Saturno (Lima de Freitas)

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                           Farol de Saturno (Lima de Freitas)

 

 Lucília teve mais sorte. Guiada pela intuição e impelida por uma fé inquebrantável, depois de um percurso extraordinariamente labiríntico, alcançou por fim a simplicidade que procurava. Aquela que a conduziria à essência do próprio Cânone.

 

 

 

 

 

 

 

 


                                                                                                                            

                                                                                           Assim começa o Cânone…(Lucília)

 

A partir daí foi apenas uma questão de o aplicar a diferentes áreas do Conhecimento e verificar se ele era, de facto, sob o ponto de vista simbólico, o denominador comum de todas elas. E a conclusão,  como era de esperar, revelou-se afirmativa. Reuniu por isso, em dada altura, as partes dispersas do seu trabalho, ou seja, alguns dos desenhos e modelos geométricos que ao longo dos anos foi construindo para defender as suas teses, e decidiu torná-lo público através de exposições que fez em diversos locais do país. Sempre consciente, porém, de que o resultado da sua pesquisa não representava senão a ponta de um novelo emaranhado que muitos outros teriam de ajudar a desenrolar.

 

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